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Bahia, Brasil, Chapada Diamantina, Destinos Nacionais, Ecoturismo

Chapada Diamantina

25 de maio de 2016

A Chapada Diamantina é uma região de beleza exuberante, repleta de morros e formações rochosas únicas, mata atlântica, caatinga, cerrado e campos rupestres, que juntos formam uma das paisagens mais impressionantes do Brasil.

Localizada no centro do estado da Bahia, a Chapada é um destino perfeito para os amantes de ecoturismo, que buscam tranquilidade e contato com a natureza, aliado a paisagens de tirar o fôlego.

Do alto do Morro do Pai Inácio, avista-se o magnífico conjunto de morros e paredões rochosos, um cenário absolutamente único e arrebatador. Uma experiência única de contemplação da natureza.

A região também conta com muitas nascentes de água, que proporcionam cachoeiras incríveis, rios, grutas, cânions e poços naturais com água azul bebê.

O nome Chapada Diamantina remonta da época do Ciclo do Diamante, na qual a região teve importante participação na extração de diamantes e pedras preciosas. Foi declarada reserva mundial da biosfera por sua enorme diversidade biológica e riquezas naturais. A Chapada está localizada na Serra do Espinhaço, uma cadeia de montanhas que se estende pelos estados de Minhas Gerais e Bahia, considerada a única cordilheira do Brasil.

A Chapada possui também charmosas cidades históricas como Lençóis, Mucugê, Igatu e Andaraí, que preservam o estilo colonial do final do século XIX.

Quando ir

A Chapada é um destino para o ano inteiro. Durante o verão chove bastante, mas em compensação as cachoeiras ficam bem mais bonitas. De maio a setembro quase não chove e é o período em que os raios de sol incidem nos Poços Azul e Encantado, deixando as águas mais azuis.

Como chegar

Para chegar em Lençóis é preciso voar até Salvador e de lá seguir mais 400 km até Lençóis. A empresa Real Expresso opera o trajeto Salvador – Lençóis diariamente. A viagem dura 7 horas.

Também é possível fazer o percurso entre Salvador e Lençóis de avião pela Azul. A única restrição é que a Azul só opera esses voos às quintas e aos domingos.

Onde ficar

Lençóis é a principal cidadezinha da Chapada, com mais infraestrutura e perto das principais atrações. Suas ruas de pedras, casas baixinhas e igrejinhas charmosas lembram as cidades históricas de Minas Gerais, só que com ritmo baiano.

O melhor lugar para se hospedar é o Hotel Canto das Águas, um refúgio de tranquilidade no meio da natureza.

O som das águas do Rio Lençóis, que passa atrás do hotel, proporciona um ambiente de pura paz. É impossível não desacelerar estando aqui. O hotel é encantador, com decoração rústica e charmosa. Os jardins são lindos, além da maravilhosa piscina coladinha com o Rio Lençóis.  Tomar o delicioso café da manhã com vista para as corredeiras e ao som dos pássaros é maravilhoso. Vale a pena o investimento.

Atrações

Morro do Pai Inácio

O Morro do Pai Inácio é o principal cartão-postal da Chapada Diamantina. É daqui que se tem aquela vista chocante dos paredões e dos morros famosos.

O acesso é feito de carro até certo ponto e depois é preciso caminhar por uma trilha de cerca de 25 minutos até o topo. A trilha é uma leve subida pelas pedras, que formam uma escada natural. Só a última pedra já quase chegando no topo que pode dar um pouco mais de trabalho por ser um pouco mais alta. A trilha é bem marcada, não sendo necessário guia. No entanto, é legal ouvir a lenda do Pai Inácio e ver a pequena encenação teatral do guia contando a história.

O melhor horário para subir é no final da tarde para apreciar o pôr-do-sol lá de cima, o que torna o cenário ainda mais espetacular. Infelizmente não consegui ir nesse horário.

Gruta da Lapa Doce

É um complexo de cavernas gigantesco com impressionantes formações de calcário e muitas estalactites e estalagmites. Cada um deles são verdadeiras obras de arte da natureza. Muitas formações recebem até nomes por lembrarem algum animal ou alguma coisa.

É um lugar fantástico, vale a pena conhecer.

Para chegar nela é preciso fazer uma pequena trilha e descer umas escadas até a entrada da gruta. Chegando lá, o percurso é todo plano e a saída é por outro local diferente da entrada. No final é preciso subir novamente por umas pedras e percorrer um trecho de estrada de terra até o local do estacionamento.

A gruta é completamente escura, sendo indispensável o uso de lanternas lá dentro. Tem uma hora que os guias apagam todas as lanternas para fazer um minuto de silêncio e ouvir apenas o barulho da gruta. A escuridão é completa e só ouvimos os barulhos das gotas caindo. É impressionante.

Também é obrigatório entrar com os guias do lugar, que ficam na entrada.

Gruta da Pratinha e Gruta Azul

As Grutas da Pratinha e Azul ficam numa propriedade particular. A entrada custa R$20,00 e dá acesso às duas grutas e ao Rio Pratinha. O local possui boa infraestrutura de banheiros, lanchonete e atividades como flutuação na Gruta da Pratinha, Tirolesa no Lago da Pratinha e aluguel de caiaques.

Já no Lago da Pratinha pode nadar e aproveitar as atividades esportivas como tirolesa e caiaque.Não é permitido nadar nas Grutas para não pisar no fundo e alterar a cor da água. A única atividade liberada é a flutuação com colete e guia na Gruta da Pratinha. O valor da flutuação é R$30,00 e é um passeio guiado pelo interior da Gruta com equipamento de snorkel, colete e lanterna.

Gruta Azul

É uma gruta muito bonita e com águas bem azuis. Não é permitido nadar, apenas tirar fotos do lado de fora mesmo.

Os meses de junho e julho são os melhores para visitar a Gruta Azul. Entre 14 e 15 horas o sol entra na Gruta deixando a água com um azul lindo e brilhante.

Cachoeira do Mosquito

É uma bela queda de 30 metros de altura escondida num cânion maravilhoso.

O acesso é por uma fazenda que cobra entrada de R$10,00 por pessoa. O guia faz uma parada num mirante para vermos a cachoeira de cima.

Depois seguimos por uma trilha de cerca de 25 minutos até lá. Antes de chegar na cachoeira do Mosquito, passamos por duas cachoeiras que ficam antes dela. Quase ninguém visita as duas, a maioria vai direto pro Mosquito.

A trilha atravessa o córrego e é preciso tomar muito cuidado para não escorregar nas pedras. A dica é pisar nas partes claras e ir com calma.

Depois de visitar as duas cachoeiras, seguimos pelo cantinho até o topo da cachoeira do Mosquito e vimos a queda lá do alto (lembrei da Cachoeira da Fumaça).

Nesse momento tive a noção do quanto é preciso atenção para atravessar o rio, porque é bem aqui que as águas despencam. Nós atravessamos em segurança e bem longe da queda d’água, mas mesmo assim eu fiquei apreensiva. O guia disse que atravessa ali mesmo, pertinho do precipício, louco ele porque qualquer escorregão pode te arrastar para a enorme queda e ser fatal.

Depois continuamos a trilha até a Cachoeira do Mosquito. Chegando lá é impossível não se encantar com a beleza e grandiosidade do lugar. Aquela imponente queda d’água entre os paredões imensos é surpreendente. É uma delícia ficar embaixo da queda, relaxando e sentindo a água cair.

Poço do Diabo

É uma enorme piscina natural com uma cachoeira no fundo. A água é ótima, não é muito gelada, dá pra aproveitar bem e nadar bastante.

A entrada é por um restaurante na estrada que liga Lençóis a Iraquara. A trilha é tranquila, cerca de 20 minutos e dá pra visitar o Poço à tarde depois de voltar de algum outro passeio.

Poço Azul

É um dos lugares mais surpreendentes da Chapada, um poço com águas incrivelmente transparentes. A vantagem desse poço é que pode entrar na água. É tão surreal que parece que não existe água no fundo e a pessoa está flutuando no ar. É uma delícia nadar nessas águas cristalinas. Não pode fazer movimentos muito bruscos para não tremer muito na foto. A profundidade do local varia de 4 a 21 metros.

O horário do sol é por volta das 14h, mas como estávamos com grupo grande, tivemos que ir pela manhã e eu não consegui ver o efeito azul.Para fazer essa foto é preciso regular bem a câmera para local com pouca luz e usar tripé, para a foto não sair tremida. A melhor época para visitar o Poço Azul é entre abril e setembro, quando o sol entra e ilumina o poço deixando as águas bem azuis e brilhantes.

O local conta com boa infraestrutura de banheiros e restaurante que serve almoço. Quem vai nadar precisa antes tomar uma ducha para tirar todas as impurezas e conservar as águas do poço transparentes. O acesso é feito por uma escada até o local.

Cachoeira da Fumaça

A Cachoeira da Fumaça é a segunda maior queda d’água do Brasil, com 380 metros de altura.

Para chegar até ela é preciso caminhar muito. A trilha tem 12 km ida e volta e um trecho bem íngreme de subida no início. Depois segue plana até o ponto de observação da Cachoeira da Fumaça. São duas horas só de ida e é bem puxada. Na volta fiquei com o joelho dolorido por causa do trecho forte de descida.


Chegando no ponto de observação, é preciso deitar na pedra e esticar o corpo um pouco pra fora para conseguir ver toda a cachoeira. O lugar é muito alto e para dar mais segurança o guia fica segurando o nosso pé enquanto contemplamos aquela paisagem incrível. A vista é fantástica, o lugar é maravilhoso.Nessa trilha nós vemos a Cachoeira de cima a partir de um platô. Para ver a cachoeira de baixo é preciso caminhar uns 3 dias.

A cachoeira tem esse nome porque a queda é tão alta que em alguns períodos a água vira fumaça antes mesmo de chegar ao solo.

É importante checar o volume de água antes de fazer essa trilha para saber se vale a pena caminhar tanto.

Ao final da trilha paramos numa lanchonete e experimentamos um delicioso pastel de jaca verde e um refrescante caldo de cana. Nunca tinha comido jaca verde, é uma delícia. Parece pastel de carne normal, não tem gosto de jaca não. Engraçado que quando cheguei da Chapada, fui ler o jornal O Globo e tinha uma matéria sobre os benefícios da jaca verde, dizendo que ela tinha se tornado a queridinha do pessoal natural e saudável. O pessoal do vale do Capão tá mais atualizado que eu, hahaha.

Antes de voltar passamos no centrinho do Vale do Capão para conhecer.

Mucugê

Mucugê é uma das mais antigas cidades da Chapada Diamantina, foi aqui que teve início a extração de diamantes no Brasil. A cidade é pequenininha, com ruas de pedras e casinhas simpáticas. O mais curioso é o fato de o principal ponto turístico da cidade ser um cemitério, o Cemitério Bizantino, com suas construções branquinhas que parecem uma miniatura de cidade.


No mesmo local do museu tem uma pequena trilha para os Saltos do Tiburtino, um local bem legal para tomar banho.Em Mucugê também visitamos o Museu Vivo do Garimpo, um museu que conta a história dos garimpeiros e dá uma verdadeira aula sobre o ciclo do diamante no Brasil. No museu funciona o Projeto Sempre Viva, que leva o nome de uma flor que era muito comum nessa região, mas hoje está em extinção. É a flor Sempre Viva, que se mantém intacta por muitos anos e foi uma das principais fontes de renda da cidade após a decadência do diamante.

Mucugê é a principal base para visitar a Cachoeira do Buracão. Não tive a oportunidade de fazer esse passeio, mas dizem que é o mais legal da Chapada.

Restaurantes:

Azul – dentro do Hotel canto das Águas

Cozinha Aberta – Comida contemporânea

Os artistas da Massa

Pizzaria da gente

Fazendinha e Tal

Absolutu

O bode – Comida à quilo

Dicas:

Tem uma agência do Banco do Brasil no centrinho de Lençóis.

Um passeio bem legal que dá pra fazer à pé saindo do centrinho de Lençóis é o Serrano. Basta caminhar uns 10 minutos margeando o rio até as piscinas naturais que se formam entre as pedras. Depois caminhe um pouco mais até o Salão de Areias Coloridas.

A Cachoeira do Buracão é mais distante e exige pernoite em Mucugê ou Igatu. Uma sugestão interessante que li no blog do Ricardo Freire é tentar rentabilizar a viagem ficando duas noites e visitando o Pantanal de Marimbus na ida e os Poços Encantado e Azul na volta.

Passeios para serem combinados no mesmo dia:

Gruta da Lapa Doce e Pratinha

Poço Azul e Poço Encantado

Cachoeira do Mosquito e Poço do Diabo

O Morro do Pai Inácio pode ser encaixado em qualquer dia que sobre um tempinho no final da tarde e ficar até o pôr do sol.

Para quem gosta de trekking e tem mais tempo disponível vale a pena fazer o circuito completo no Vale do Pati. Você pode fechar um pacote com alguma agência especializada ou fechar um grupo e contratar um guia pra vocês. O trajeto dura 5 dias e você vai passar pelas paisagens estonteantes da Chapada,  dormir nas casas dos nativos e comer uma deliciosa comidinha caseira. O percurso começa no Vale do Capão e termina em Andaraí. Meu irmão foi e adorou a experiência, quem sabe um dia eu volte para fazer esse trekking.

Algumas agências recomendadas Volta ao Parque, Chapada Adventure

A Chapada é enorme, então é preciso planejar o que você pretende conhecer para dividir sua hospedagem em pelo menos duas cidades e aproveitar melhor as atrações. Sugiro ficar 4 a 5 dias em Lençóis e 1 ou 2 dias em Mucugê.

Em Lençóis você visita a maioria das atrações: Morro Pai Inácio, Cachoeira do Mosquito, Poço do Diabo, Pratinha, Lapa Doce e outros. Pode reservar uns 4 a 5 dias por aqui.

Mucugê: A caminho de Mucugê você visita Poço Azul e Poço Encantado.  A cachoeira do Buracão fica a 2 horas de Mucugê.

Vale do Capão – Cachoeira da Fumaça (também dá pra ir a partir de Lençóis, fica a 1 hora e meia de carro, o passeio dura o dia todo)

Vale do Pati – Pra quem vai fazer o trekking de 5 dias

Em Lençóis existem várias agências de turismo e a média do preço dos passeios é R$100,00 por pessoa. Ou seja, quem vai sozinho acaba gastando mais. Além disso, não é todo dia que tem o passeio que você quer fazer. Eles possuem uma programação, dia tal é o Poço Azul e Poço Encantado, no outro Cachoeira da Fumaça e você tem que se encaixar em um deles.

Uma forma de economizar e ficar mais livre e flexível para fazer o que quiser é alugar um carro, contratar um guia e dividir os gastos com os participantes. Nem todos os passeios necessitam de guia, o que dá pra economizar também, como Pai Inácio, Poço Azul, Poço Encantado. Para os passeios que exigem guia, como os que possuem trilha e caminhos mais complicados por estrada de terra e tal, a opção é contratar um na Associação dos Condutores de Visitantes de Lençóis (ACVL), o telefone é (75) 3334-1425. O guia vai cobrar o valor da diária e você vai montar o próprio roteiro sem depender da agenda de passeios disponíveis em cada dia pelas agências.

O bom do guia é que além de conhecer os caminhos (muitos não tem sinalização), ele ainda vai enriquecer sua viagem contando histórias e curiosidades da cultura local.

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