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Montanha, Pico da Bandeira, Trilhas

Conquista do Pico da Bandeira

08 de maio de 2015

No feriado do trabalhador viajei com o pessoal do Desbravando Rio e o grupo Trilhando Montanhas para a cidadezinha de Alto Caparaó. O objetivo final era subir o Pico da Bandeira, terceiro ponto mais alto do Brasil, com 2.890 metros de altitude.

O Pico da Bandeira está localizado no Parque Nacional do Caparaó, uma importante área de preservação da Mata Atlântica que faz divisa entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. A administração do parque é feita pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A subida pode ser feita tanto por Minas Gerais quanto pelo Espírito Santo. Os dois estados disputam entre si qual seria o melhor trajeto. O lado mineiro é mais fácil, mas o lado capixaba tem a fama de ser mais bonito. 

Saímos do Rio de Janeiro à noite e chegamos em Alto Caparaó pela manhã.

Alto Caparaó é uma cidade pequena e simples, aos pés da Serra do Caparaó. A cidade conta com algumas pousadas e restaurantes de comida caseira. Caso tenha esquecido algum item importante pode aproveitar para comprar na cidade. Há também uma loja chamada Fruto da Terra que aluga equipamentos como barraca, saco de dormir e outros itens de acampamento.

Chegando na portaria do Parque Nacional do Caparaó é preciso subir uma estrada de 6 km até o Acampamento Tronqueira, ponto onde se inicia a trilha para o Pico da Bandeira. O Parque oferece o serviço de transporte de jipe até lá pelo valor de R$20,00 por pessoa, mas também é possível subir de carro particular. Nesse caso, fique atento, pois a estrada possui trechos bem íngremes e escorregadios, que dificultam a subida de carro comum. Alguns trechos mais perigosos possuem calçamento com blocos de pedras para ajudar a tração, mas a maior parte da estrada é de terra e esburacada. Não é permitido subir de moto.

A aventura começa dentro do jipe, com muito emoção e todo mundo sacolejando lá atrás. A próxima parada é no Acampamento Tronqueira, uma área ampla com estacionamento, banheiros, área de camping com mesas, cadeiras e um belo mirante. Muitas pessoas acampam na Tronqueira e aproveitam para conhecer os atrativos próximos dali, como a Cachoeira Bonita e o Vale Encantado.

É aqui que começa a trilha para o Pico da Bandeira, iniciamos a trilha por volta de 14h. O caminho é belíssimo, passando por rios e cachoeiras. A trilha é bem marcada e de fácil acesso, com alguns trechos de subida. 

Desde o início a paisagem vai se revelando encantadora com muitas belezas pelo caminho, como a cachoeira do Vale Encantado e a Araucária solitária, que indica que estamos na metade do caminho até o Terreirão. Depois a trilha segue paralela à Cachoeira que divide os estados de Minas com Espírito Santo. A última parte da trilha tem uma subida chatinha entre as pedras.

São cerca de 2 horas de caminhada até o Terreirão, local do acampamento para pernoite de quem sobe o Pico da bandeira. O Terreirão é o último ponto de apoio de quem vai subir o pico da bandeira e está a 2.370 metros de altura.

Chegamos no Terreirão por volta das 16h. Montamos as barracas e fizemos o jantar.

A área de camping é grande e com boa infraestrutura, banheiros, chuveiros (água congelante), pias, mesas, lixeiras. A dica é montar a barraca perto de uma das mesas.

No acampamento há um abrigo que era liberado para quem quisesse dormir lá, mas por causa da dos vândalos que estavam destruindo o local, esse abrigo não estava mais disponível para pernoite. 

O único lugar que ainda está liberado para os visitantes é a Casa de Pedras, um espaço comunitário, onde “quem chegar primeiro entra”. Possui uma mesa e um espaço para se jogar no chão. Essa casa na verdade salvou a pele da maioria do grupo, porque no início da noite começou a chover muito forte e várias barracas ficaram encharcadas. Todo mundo correu pra Casa de Pedra e ficamos amontoados do jeito que dava. Rolou até uma música de night pra animar a galera. Mais tarde parou de chover e o tempo foi abrindo.

A casa é pequena e tivemos que dormir um colado no outro por falta de espaço. À noite faz bastante frio e o saco de dormir foi essencial.

Acordamos de madrugada e partimos para a última parte do percurso rumo ao Pico da Bandeira. Saímos por volta das 2:30h para ver o amanhecer lá em cima. Esse trecho é o mais chatinho, bem íngreme e com muitas pedras, parece que estamos subindo no meio de uma cachoeira. É preciso ficar atento o tempo inteiro para não escorregar. À medida que vamos nos aproximando do topo, o frio vai aumentando. Fizemos algumas paradas para descansar, mas não se pode demorar muito porque senão esfria demais.

O tempo de subida é cerca de 2 a 3 horas dependendo do ritmo. O tempo tem que ser calculado direitinho para não chegar lá no topo muito cedo e ficar passando frio, ou chegar muito tarde e perder o nascer do sol. Fizemos em 2 horas e tivemos que ficar um bom tempo esperando o sol nascer. O vento é cortante e o frio é de doer os ossos, mas todo esforço, cansaço e frio são esquecidos no instante em que saem os primeiros raios de sol.

O Pico da Bandeira proporciona uma vista privilegiada desse espetáculo da natureza. Aquele tapete de nuvens sendo revelado pelo amanhecer é algo surpreendente. O topo das outras montanhas lá embaixo nos mostra o quanto estamos altos.

E assim, cada um vivencia um momento muito particular de gratidão por ter o privilégio de chegar até aqui e presenciar esse instante único. Cada pessoa comemora sua conquista pessoal, de ter vencido mais um desafio. Chegar aqui não é fácil, mas com certeza é recompensador. É um momento mágico, emocionante e inesquecível.

No Pico da Bandeira existem dois pontos, um com o Cristo Redentor e uma torre desativada e outro mais alto com uma cruz.

Quando ir

A alta temporada é durante o inverno e o mês de julho costuma ser o mais cheio. O período mais procurado é o de lua cheia, nesse caso procure reservar com antecedência.

Curiosidades

  • O Pico da Bandeira é o ponto mais alto da Região Sudeste do Brasil.
  • O cume fica no estado do Espírito Santo. 
  • Seu nome veio da época de D. Pedro II, que determinou que colocassem a bandeira do Império no cume.
  • É um dos lugares mais frios do sudeste. A temperatura no local pode chegar a -10°C. 

Dicas

  • Do lado direito do Terreirão tem uma cachoeira, mas eu não fui.
  • Procure montar sua barraca nas laterais e nos locais mais elevados.
  • Na alta temporada é necessário agendar o acampamento. Os dias mais procurados são nos períodos de lua cheia, que proporciona maior visibilidade. O telefone do Parque é (32) 3747-2086
  • Durante o dia faz calor e à noite faz muito frio. Leve roupas apropriadas para os dois períodos.
  • É importantíssimo usar um calçado apropriado. O mais indicado é usar botas de trekking, de preferência impermeáveis, para não molhar os pés. Leve meias extras também.

Itens essenciais

  • Roupas de frio (segunda pele, fleece, luva, gorro)
  • Um bom casaco corta-vento impermeável e calça impermeável ( caso chova)
  • Botas de trekking
  • Lanterna
  • Saco de dormir
  • Isolante térmico
  • Barraca de camping
  • Capa de chuva
  • Lanches (atum, macarrão, pão, biscoitos)

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