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Bike, Chacaltaya, Neve, Radical

Chacaltaya, Valle de la Luna e Death Road

25 de abril de 2014

Chacaltaya é um pico de 5.421m de altitude na Cordilheira dos Andes, onde funcionava a estação de esqui mais alta do mundo, hoje desativada devido ao aquecimento global. Para chegar até o topo são uns 100 metros de subida que parecem uma eternidade, pois é preciso vencer o frio, o vento cortante e a altitude, que faz com que qualquer esforço físico pareça uma maratona. É importante estar bem aclimatado antes de fazer esse passeio.

O passeio é feito numa van que vai pegando as pessoas nos hotéis. Eu estava nervosa porque sabia que a estrada tinha muitas curvas e fiquei com medo do carro escorregar, qualquer descuido do motorista ali é fatal. A guia nos tranquilizou dizendo que o motorista era muito experiente. Paramos numa lojinha para comprar comidas, pois não teria parada para almoço. Comprei pão, banana e
biscoito água e sal. Fizemos uma parada no caminho para tirar fotos da Cordilheira no fundo. Continuamos a subida, cada vez mais alto e mais sinuoso.
Fiquei abismada com um ônibus que subia também, que perigo! Chegando lá nos deparamos com uma placa avisando que estávamos a 5.300m de altura. A estação Chacaltaya era a estação mais alta do mundo, só não é mais porque não está mais em funcionamento. Chegando na base a guia deu 1 hora para subir os cerca de 100 metros até o topo.
 O frio era intenso e ventava bastante. É preciso estar bem aclimatado para subir o Chacaltaya, pois a 5.300m a soroche pega legal. Depois de 1 hora o grupo voltamos para a van e iniciamos a descida, tensão maior ainda.
Finalmente chegamos em segurança e seguimos para o Vale de La Luna. Até chegar lá demora um pouco porque o trânsito em La Paz é tenso. A van passa na calle Llampu e pergunta se alguém quer descer e ficar por ali. Li vários relatos de pessoas que não foram ao Valle de La Luna, mas eu recomendo muito que você vá, porque é bem bonito e diferente.
  

Downhill on the Death Road

Apesar do nome, atribuído graças ao elevado índice de acidentes fatais, é seguro descer de bike se você seguir as instruções e não abusar. O circuito começa em La Cumbre, aos pés da montanha Huyaina Potosí, a 4.700m, e termina em Yolosa, a 1.100m. São inacreditáveis 3.600m de desnível, em apenas 65 km de distância e abismos que chegam até 900 metros de profundidade. Ao longo de todo o percurso a paisagem é de tirar o fôlego. Exuberantes montanhas nevadas, lagos e dezenas de cascatas completam o cenário arrebatador. Emocionante poder dizer que nós sobrevivemos à Estrada da Morte.
Fechei o Downhill com a empresa Xtreme Downhill. A agência fica na Calle Sagárnaga e o equipamento deles é muito bom, além da camiseta ser uma das mais bonitas. O passeio inclui transporte, bicicletas especiais para downhill, café da manhã, lanche e almoço, camiseta e CD com fotos e vídeos do passeio.
A van nos pegou no hotel bem cedinho e seguimos em direção ao Cumbre. Chegando lá, eles montaram uma mesa de café da manhã (um diferencial da Xtreme, pois as outras servem o café na agência mesmo). Comi um pão com doce de leite delicioso, comi dois. Tomamos café da manhã com aquele visual incrível.
Nos equipamos e recebemos algumas instruções sobre a descida. A primeira parte do Downhill é feita na estrada de asfalto, que é a estrada nova que liga Coroico a La Paz. Antes dela, o único jeito de chegar a La Paz vindo de Coroico era a Estrada da Morte. É preciso cautela e um pouco de insanidade para dividir a estrada com vários veículos em mão dupla. Eu estava um pouco nervosa no início, principalmente porque era uma estrada em que passavam muitos carros. Comecei a descida bem devagar, tomando todo cuidado possível. Estava extasiada pela bela paisagem e por aquele silêncio e sensação de liberdade. A estrada é belíssima, que lugar fantástico, lindas montanhas, céu azul, lagoas lá embaixo, o vento no rosto, a emoção de estar ali foi incrível. A essa altura o grupo já estava longe e eu havia ficado para trás, mas não estava com pressa, queria aproveitar ao máximo aquele lugar, admirar as lindas paisagens e estar em contato com a natureza.
Depois paramos num local para pagar uma taxa de 30 bolivianos para ingressar na região da Estrada da Morte. Depois seguimos de van até a Estrada da Morte propriamente, a original que ganhou a fama de ser a estrada mais perigosa do mundo por seu alto índice de acidentes fatais. Como a estrada é muito estreita, de pedras e com muito nevoeiro, muitos carros e ônibus caíam nos precipícios e muitas pessoas morriam. Diversas cruzes pelo caminho servem como memorial das mortes já ocorridas. O episódio mais marcante ocorreu na década de 80, quando um ônibusabarrotado de passageiros mergulhou no precipício, matando cerca de 100 pessoas no pior acidente rodoviário da história boliviana.


Recebemos novas orientações sobre os cuidados que deveríamos ter e iniciamos a descida. Aqui a estrada era bem estreita, com muitas pedras grandes, chão molhado, quedas d’água, neblina. Apesar do nevoeiro e da estrada ser cheia de pedras, eu estava bem mais tranquila e sem medo. Fiquei muito mais nervosa na estrada de asfalto do que na de terra. Eu estava indo numa velocidade razoável, mas ainda era a última do grupo, só que numa distância menor. Durante o trajeto fizemos paradas para fotos e vídeos. Passamos por cachoeiras, abismos e paisagens de tirar o fôlego. Muito bom estar ali, foi realmente o melhor de La Paz.

estrada da morte bolívia

estrada da morte bolívia
Depois de um tempo o nevoeiro diminuiu e a paisagem foi ficando mais verde. Começou a esquentar também e fizemos uma parada para tirar parte das roupas e continuar o passeio com mais leveza. O pit stop também contou com um lanche com banana, batatas chips, água e refri. Continuamos a descida, agora o chão já não tinha tantas pedras e estava seco, então foi bem mais tranquilo. Atravessamos córregos e molhamos nosso pé todo. Os guias filmaram essa parte, bem legal.
No fim do passeio paramos num bar para esperar eles limparem as bicicletas e guardarem os equipamentos. Depois seguimos para um hotel com piscina e almoçamos um delicioso almoço Buffet. Às 15h voltamos para La Paz depois, a viagem de volta dura cerca de 3 horas, mas com o trânsito gastamos um pouquinho mais. Chegamos umas 18:30h na agência, cansadas, mas emocionadas por sobreviver à Estrada da Morte.
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