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Deserto, Ecoturismo, Salar de Uyuni

Salar de Uyuni

13 de maio de 2014
Milhares de partículas de sal, tão brilhantes que chegam o ofuscar a vista, formam uma imensa camada branca até perder de vista. Estamos falando do Salar de Uyuni, também conhecido como Espelho do Céu.
O Salar de Uyuni é a maior planície de sal do mundo e é tão brilhante que pode ser visto do espaço. Ao redor dessa imensidão branca existem vulcões, desertos, lagos lindíssimos, formações rochosas interessantes e algumas atividades geotermais.
 
Nós fomos para Uyuni de ônibus noturno a partir de La Paz e achei a viagem confortável. Felizmente não houve nenhum bloqueio na estrada e chegamos em Uyuni sem maiores problemas. De tudo que pesquisei para essa viagem, três coisas me deixaram muito preocupadas, a primeira era essa questão dos bloqueios nas estradas, a segunda era passar frio no ônibus e nos alojamentos do Salar e a última era conseguir uma boa agência e um bom motorista para o passeio do Salar. Pegamos um bloqueio voltando para La Paz, mas que durou pouco tempo, não passei frio no ônibus, pois era aquecido e tinha cobertor. No salar fez frio, mas foi suportável. A agência que escolhi foi excelente e o motorista muito legal.
Chegamos em Uyuni pela manhã e fui procurar agências para fechar o passeio do salar.
Fechamos com a Tours y Bols por 700 bolivianos por pessoa e recomendo muito. O motorista Otávio era ótimo, muito prestativo, gente boa, tranquilo, não bebeu e não dormiu no volante (coisas bastante comuns por lá) e foi muito atencioso e responsável durante toda a viagem. Gostei muito dele. Éramos 6 pessoas, eu e minha irmã e 4 israelenses super tranquilos e que ficaram nossos amigos.
Os passeios para o salar saem de Uyuni por volta das 10:30h. Existem circuitos de 1, 2, 3 ou 4 dias. Recomendo fazer o de 4 dias que vai até San Pedro do Atacama. Nós fizemos o de 3 dias, que faz todas as atrações e volta para Uyuni, mas se eu tivesse mais tempo teria feito o de 4 dias com certeza.
A primeira parada é no inusitado Cemitério de Trens, bem perto de Uyuni. O local era um importante cruzamento de ferrovias que ligava a Bolívia ao Chile e à Argentina. Após a desativação da ferrovia, os trens foram abandonados no meio do deserto e acabaram tornando-se atração turística.
Após visitar o cemitério seguimos até o Pueblo de Colchani, um pequeno povoado que sobrevive da extração­ do sal. É aqui que eles vendem os artigos feitos de sal. São chaveiros, pratinhos, miniaturas, tudo de sal. Aproveite para comprar seu souvenir, porque esses artigos só são vendidos aqui. Lá também vende blusas, xales, cachecóis de lã e de alpaca e outros artesanatos e os preços são ótimos.
Logo após deixar o povoado de Colchani, seguimos em direção ao tão aguardado salar. É muito legal ver a paisagem se transformando e o chão ficando cada vez mais branquinho. Mal podíamos esperar pela próxima parada.
Enfim chegou a hora de conhecer essa maravilha, logo na chegada estava essa placa do Rali Dakar que tinha ocorrido ali. Deve ter sido o máximo.
Em seguida fizemos algumas fotos brincando no salar e depois seguimos para o famoso Hotel de Sal, que hoje funciona como museu.

É difícil de acreditar que tudo ali dentro é feito de sal. É tão sólido que parece feito de outro material, sei lá. No museu existem várias estátuas quéchuas inusitadas.

Do lado de fora do hotel tem uma área muito bonitinha cheia de bandeiras de vários países.
Enquanto tirávamos fotos nas bandeiras, o motorista preparava o almoço que seria servido na mala do carro.
Eu achei tão legal almoçar no meio daquela imensidão branca, foi uma experiência muito bacana. A comida estava deliciosa, tinha arroz, salada, hambúrguer e até uma maçã de sobremesa.
Após nosso almoço ao ar livre, o motorista nos levou até uma área em que o chão era bem branquinho para fazer as famosas fotos em perspectiva.
Esses  desenhos em forma de hexágonos que ficam no chão são por causa da enorme variação de temperatura que o local enfrenta.
Uma curiosidade é que o Salar surgiu a partir da evaporação da água do Lago Minchin, um lago pré-histórico que existia nessa região.O próximo ponto a ser visitado é a Ilha Incahuasi, também conhecida como Ilha do Pescado. A ilha é coberta por inúmeros cactos de até 12 metros de altura e cercada pela planície de sal até onde a vista alcança. A vista do topo é escandalosamente linda. A imensidão branca toma conta da paisagem e todo o resto parece insignificante e minúsculo.

Depois de tanta beleza é hora de ir para o local do nosso primeiro pernoite, o vilarejo de San Juan del Rosário, a 4.164 metros acima do nível do mar. Nos hospedamos num hotel todo feito de sal,
parede de sal, chão de sal, camas, mesas e cadeiras tudo de sal. Ficamos eu e Michele num quarto duplo. O banho quente era 10 bolivianos, mas não encarei porque o box estava entupido e formou uma piscina de água suja do banho dos outros. Colocamos o celular para carregar nas escassas tomadas. Aliás, DICA importante, a primeira coisa que você deve fazer é procurar essas tomadas e
garantir o seu espaço.

O Otávio preparou um lanche com biscoitos e chá quentinho. Sentamos todos em volta da mesa e ficamos conversando com os israelenses e aprendendo algumas curiosidades desse país.
Lá, depois que terminam a escola (ensino médio) todos prestam serviço militar obrigatório, inclusive as mulheres, e eles adoram, ficavam lembrando de várias coisas legais pelas quais passaram. Depois disso, parece que trabalham e juntam um dinheiro, então viajam o mundo durante um bom tempo e só então vão fazer faculdade. Que delícia! Eles já tinham visitado a América do Sul quase toda, conhecem vários lugares do Brasil, as meninas adoraram fazer compras no Rio.
Depois ficamos conversando com uns brasileiros que estavam no outro grupo, um casal e o Mauro, que acabou ficando nosso amigo no restante da viagem. Mais tarde o Otávio preparou nosso jantar, uma sopa deliciosa de entrada e frango com batata frita. Eu fiquei só na sopa porque ainda estava enjoada com frango e queria evitar frituras. De sobremesa teve pêssego em calda. O Mauro me
emprestou o saco de dormir dele, pois ele não estava com tanto frio. E por incrível que pareça essa foi a melhor noite desde que cheguei na Bolívia, dormi muito bem, quentinha e sem dor de cabeça. Dava para ter dormido sem o saco de dormir, mas com o saco foi bem mais confortável, estava bem quentinho.
Recomendo que levem saco de dormir principalmente se for no inverno. Algumas agências de Uyuni alugam os sacos de dormir antes do passeio.
 Segundo dia: Acordamos e vimos o sol nascer no deserto de sal, lindo demais. Tomamos café da manhã, pão, geléia, doce de leite, chá. Saímos cedo e seguimos viagem.

O branquinho vai ficando pra trás e dando lugar aos tons de vermelho do deserto. As montanhas ao redor dão um toque especial a essa paisagem fenomenal.
Nossa primeira parada do dia foi nessa estrada de ferro que vai para o Chile para fotografar a paisagem com os vulcões no fundo.
A próxima parada foi no mirador do Volcano Ollague, onde vimos também a pedra em forma de Condor (o pássaro símbolo dos Andes).
Logo após paramos na Laguna Cañapa onde o motorista nos deixou tirando fotos enquanto preparava o almoço. Tiramos muitas fotos dos Flamingos e fomos almoçar um franguinho delicioso com arroz e salada.
Almoço do segundo dia: Frango à milanesa, macarrão, salada e maçã.

Após o almoço, a viagem continua passando por belas lagoas de várias tonalidades e repletas de flamingos: a Hedionda, a Chiar Khota, a Ramadita e a Honda, que surgem como um milagre do solo desértico.

Laguna Hedionda
Laguna Honda
 Após a sequência de lagoas encantadoras, entramos na parte dos desertos, o Deserto de Siloli, que faz parte do Deserto do Atacama e o Deserto de Pedra, com formações rochosas inusitadas como essa que recebe o nome de Árvore de Pedra.
A última atração do dia era a Laguna Colorada. Paramos na entrada da Reserva Nacional da Fauna Andina Eduardo Avaroa, onde é preciso pagar a quantia de 150 bolivianos e depois seguimos em direção à Lagoa Colorada. Nosso alojamento ficava bem em frente à Lagoa, então deixamos nossas coisas no quarto e fomos caminhar em volta da lagoa. A tonalidade avermelhada de suas águas nos
deixou impressionados. A lagoa forma um espelho d’água refletindo a montanha.
Ventava muito e fazia um frio de doer os ossos, o que não nos deixou ficar muito tempo contemplando a beleza daquele lugar.
Voltamos para nossa hospedagem, dessa vez o quarto era compartilhado pelos 6 integrantes do grupo. O banheiro era bem melhor do que o do hotel de sal comunitário, mas não tinha chuveiro e nem água quente. Quem quisesse tomar banho nesse dia tinha que sair e andar um pouquinho até uma outra hospedagem ali ao lado e pagar 15 bolivianos. Eu novamente não encarei o banho porque novamente o Box estava entupido e eu não ia enfiar meu pé naquela água nojenta. A Michele foi a única do grupo que tomou banho nesse dia. O motorista preparou um chá quentinho com rosquinhas, o que ajudou a espantar um pouco o frio. Mais tarde o Otávio serviu o jantar, sopa de entrada e macarronada com molho de tomate e um vinho pra aquecer essa noite gelada no deserto. Eu estava preocupada se iria sentir muito frio à noite, pois não levei saco de dormir. Fez frio, mas os cobertores deram conta do recado.
 
No terceiro e último dia de passeio acordamos bem cedo, pois o trajeto era longo. Tomamos um café da manhã com panquecas deliciosas (nos outros dias teve só pão). Nosso primeiro destino foi o campo geotermal Sol de La Mañana, a cerca de 5.000 metros de altitude. O local é cheio de
atividades vulcânicas e gêiseres com jatos de vapor de 60ºC a 90º C e que atingem até 50 metros de
altura. Fazia muito frio, desci do carro, fotografei rapidinho e voltei. É preciso chegar bem cedo aqui para conseguir ver o vapor, que só podem ser vistos bem no amanhecer.
 

Depois seguimos em direção às  chamadas Águas Termales, uma piscina termal represada à beira da Laguna Salada.
Lá dentro, água quentinha, uns 30 graus, e do lado de fora, um frio congelante. Eu não entrei porque estava com muito frio e não consegui me imaginar tirando a roupa, mesmo que fosse só por alguns segundos. Se não tivesse tanto frio até que eu entrava na piscina, mas não deu. 

Depois é a hora de conhecer a Laguna Verde, uma belíssima lagoa aos pés do Vulcão Licancabur.
A cor verde-água é causada pela concentração de minerais como chumbo, enxofre e carbonato
de cálcio e não precisa nem falar que é espetacular.
O Vulcão Licancabur tem 5.976 metros de altitude e seu pico abriga ruínas de uma antiga cripta
inca. Além de ter o formato de um cone perfeito, o interessante desse vulcão é que um lado é boliviano e o outro é chileno, pois é localizado bem na fronteira dos dois países.
Queria muito ter esticado o passeio até San Pedro do Atacama, mas acabamos ficando com o tempo apertado. Durante o regresso fizemos uma parada no Vale de las Rocas, com várias formações rochosas interessantes.
 No meio do caminho, paradinha para almoço.
Arroz, salada de tomate e atum. De sobremesa tangerina ou Clementina segundo os israelenses
 E mais umas fotos desse cenário pitoresco.

  Parada para fotografar as llamas  

 Por volta das 17h chegamos em Uyuni. Tomamos um banho quentinho por 15 bolivianos e demos uma volta pela Rua Acre e pela Plaza del Reloj, onde se concentram cafés, lanchonetes e restaurantes. Voltamos para La Paz com a empresa Todo Turismo. A empresa serviu jantar e café da manhã.
O ônibus tinha manta e WiFi (mas só depois de Oruru). No meio da noite acordei com o ônibus parado e o guia explicando que estava tendo um bloqueio na estrada. O guia explicou que teríamos que fazer uma troca de ônibus. Cruzaríamos o bloqueio à pé até o outro lado e entraríamos no ônibus que estava vindo de La Paz e o ônibus daria meia volta conosco e os passageiros do outro ônibus passariam para o nosso e daria meia volta também. Só teríamos que esperar o ônibus chegar. Felizmente, passaram algumas horas e o pessoal desistiu do bloqueio.

Resumo Salar de Uyuni

Como chegar:
Ônibus noturno – aproximadamente 10 horas de viagem. Melhor empresa: TODO TURISMO
Ônibus + Trem – Pega-se um ônibus até Oruru e depois trem até Uyuni (é preciso verificar os dias da semana em que há trem, pois não são todos os dias)
Avião – Empresa TAM (Transporte Aéreo Militar) desce direto em Uyuni
Tipos de passeios:
O tour pelo Salar é feito numa 4×4 em grupo de 6 pessoas. Custa em torno de 700 bolivianos com tudo incluído, alimentação, transporte e hospedagem. O motorista é quem prepara as refeições
(café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar).
O passeio mais comum é o de 3 dias, que começa e termina em Uyuni. Se tiver mais tempo, recomendo esticar até San Pedro do Atacama. Há também passeio de apenas 1 dia, que conhece só o salar, mas vale muito a pena fazer o tour completo.
A agência é um ponto sensível do passeio. É muito importante contratar o tour com uma agência bem recomendada.
Outras variáveis que vão influenciar seu tour pelo salar são o motorista e o grupo. Faça amizades já no caminho para Uyuni para tentar fechar um grupo legal. Já o motorista é um fator sorte, mas pelos relatos que li e pela minha experiência, acredito que tanto as agências quanto os motoristas melhoraram no tratamento e qualidade do serviço.
O que vestir:
Durante o dia faz calor, mas é só ficar na sombra ou bater um ventinho que o frio aperta. Então recomendo usar uma blusa normal e um casaquinho leve por cima, de forma que não esquente muito e também você possa tirar caso sinta calor. Já à noite, agasalhe-se muito bem, porque mesmo com muitos casacos o frio vai conseguir atravessar todas as camadas e penetrar nos ossos, principalmente durante as noites de inverno ou na meia-estação.
O que levar:
Leve alguns snacks extras como biscoitos, chocolates, caso sinta fome entre as refeições, pois o café da manhã é simples, só no último dia que teve panquecas maravilhosas, o almoço e o jantar são
tranquilos e tem uma fruta de sobremesa.
4 Comentários
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4 Comentários
  1. Lily Pestana    15/10/2015 - 17h08

    Day, adorei o relato e as fotos!

    Está nos meus planos para 2016!!!
    Em que época do ano que você foi? Percebi que o salar estava bem sequinho. Você escapou das chuvas, certo? Para pegar o salar de Uyuni com aquela película de água, além de sorte, qual a época que você indica ir sem riscos de pegar temporal e sequer conseguir fazer o passeio?
    Beijinhos,
    Lily – Apaixonados por Viagens

    • Dayana    19/10/2015 - 11h15

      Oi Lily,

      Que bom que gostou. Eu fui em abril e peguei o Salar completamente seco, nenhum espelho d’água para contar história. Em compensação, os dias estavam lindos e não passamos nenhum perrengue.
      Tenho muita vontade de voltar no período dos espelhos. É mais arriscado, porque pode ser difícil de atravessar o salar, mas deve valer muito a pena.
      Nos meses de dezembro e janeiro chove mais, então acredito que se você for logo após esse período, pegue menos chuva, mas ainda sim terá os espelhos.
      Eu voltaria em fevereiro / início de março. Deve ser inesquecível.

      Beijos

  2. Mayra Luíza    25/04/2017 - 15h40

    Oie! Adorei as informações, bem completas! Gostaria de tirar uma dúvida sobre a jaqueta rosa… eu estou com grana curta pra ficar investindo em roupa, tenho uma jaqueta de couro preta no estilo dessa rosa.. vc acha que tem necessidade de investir em alguma jaqueta impermeável?

    • Dayana    25/04/2017 - 16h00

      Oi Mayra, que bom que gostou. Se você usar um casaco quentinho por baixo da jaqueta de couro dá pra segurar o frio, mas não é o ideal para esse tipo de viagem. Se você tem intenção de fazer outras viagens assim, Peru, Chile, etc, vale a pena depois você investir num casaco corta-vento impermeável, será muito útil para outras viagens para lugares semelhantes, trilhas, etc. Se você for passar em La Paz aproveite para comprar uma jaqueta corta-vento por lá. É bem mais barato e segura bem o frio. Eu comprei uma da North Face lá e usei bastante. Outra loja muito boa é a Decathlon, pra você comprar segunda-pele, fleece, etc.

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